terça-feira, 10 de junho de 2008
Os Dentes
Consegui atendimento em junho e no mês seguinte extraíram vários dentes, toda semana. Era para colocar a dentadura em agosto. Mandaram voltar em setembro e então em outubro, quando disseram que estavam me colocando numa lista, compridona, que iam entregar a fim de ano, para ver se iriam ter vaga no ano seguinte (2k8). Só que não moro mais por lá.
Me deixaram banguela à toa e nem uma limpeza fizeram nos poucos dentes restantes. Um canino já quebrou, porque não mais encaixaba bem. Faz mal à saúde.
Aqui pretendo dar uma checada no sistema público de saúde. Já sei que, para falar com uma dentista do posto de saúde, perco o café de manhã e o almoço, se quiser ser atendido.
Mais sobre Dentes
Tanto quanto filmes, discos ou livros, os games são produtos culturais, independentemente de sua qualidade ou de seu conteúdo. O mesmo valeria para os jogos eletrônicos.
A justiça brasileira retiruou de circulação alguns games extremamente violentos. Os lobbistas das indústrias alegam que isso seria censura, ferindo o princípio de liberdade de expressão.
Segundo definição de ‘experts’ no assunto, cultura é tudo o que o ser humano faz o produz.
Eu me pergunto:
Pelo menos visto desde uma perspectiva de análise daquilo que está sendo vendido, para o povo, como ‘espontânea’ expressão cultural brasileira. O que inressa é o dinheiro, o resto é lero lero.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Um dia na BaseLar
Descobri que teria que ficar no pátio, no frio, sem poder entrar no dormitório. A caixa idiota ligada no programa da dona do loro. Umas 50 pessoas espalhadas por aí, todas doentes. Está bastante frio.
Bom é que tenho roupa de inverno. Ruim é que fudeu o ziper da claça recem lavada. Só tenho mais uma; jeans branco. Ainda tenho que agradecer o apóio logístico de um amigo. Posso lavar roupa e tomar banho no apartamento dele, nos fins de semana. Valeu, camarada!
Domingo no trecho
O que dá é saudade de máquina fotográfica. Agora mesmo. Já vi antes aquela idosa, hoje bem agasalhada, cochilando na cadeira de plástico do terminal de ônibus urbano e interestadual, de trêm, metrô e taxi; com duas bolsas grands, semitransparentes, de plástico ao lado dela, contendo várias bolsas menores com seus pertences.
Ou filmar un vídeo digno do u2b, com aquele rapaz no albergue que mexe braços, pernas e cabeça de forma convulsiva e totalmente randômica. Não dá pra prever o próximo movimento e a sequência é rápida e constante.
Mas consegue caminhar e dá espetáculo de manhã, quando consome seu pão e leite com café. Não perde uma migalha, nem derrama um pingo sequer.
Desculpem, é realmente muito divertido, mas um vídeo fere o direito do ser humano de não ser exposto a gozação.
Obs! Descubri agora: foi overdose de cocaina.
Ver: "Declaração dos Direitos de Animal Humano", no link Edições Universo Separado.
Cena no Viaduto
Começando a descida, pela passarela de pedestres, tinha um casal discutindo. Chegando perto ouvi ele falar algo assim como: 'nem pensa que vai voltar à favela não'. Ele tranquilão; ela tensa, mordida, raivosa.
Não tinha como desviar. Passando junto à mureta, coisa de meio metro dela, sinto mais que vejo, ela puxando uma faca. Mas não era comigo. Olhei de relance, ele frio e meio chumbado; e segui meu caminho de fininho. Alertei dois caras que crzei mais embaixo.
No dia seguinte comentei com um colega que almoça junto. Ele tinha passado mais tarde pelo mesmo lugar. Contou que tinha policia enquadrando uma mulher.
Roupa de Cama
A toalha trocaram anteontem. A gente recebe um kit quando ingressa, incluíndo creme e escova dental, sabão de lavar, sabnete e barbeador. Às perguntas feitas sobre demora na troca, tem resposta padrão: "Reclama coma assistente." Pura gozação.
O que gosto mesmo, no sério, é do sabão de côco. Dão uns pedacinhos, cubunhos, quando a gente pede. Serve bem de xampú e é melhor que muto sabonete.
Banheiros no "Lar"
Vai ver então como fica, com esse monte de gente. Caga um, caga outro, mais um e mais outro. e logo reclamam que o banheiro está entupido. È claro que têm vários onde a descarga não funciona, mas aquele estava bom.]]Acho que não pode estranhar, num país onde a maioria da população hoje adulta não conheceu saneamento básico civilizado.
Dos 18 banheiros em meu setor, têm vários sem água quente, outros sem chuveiro mesmo, algumas descargas com defeito. Vai puxar e vaza a meleca no piso, ou nem água desce. As janelas são buracos e a temperatura dentro é a mesma de fora. Trecheiro que é recolhido da rua e chega tarde à noite é obrigado a tomar banho. Dias atrás o termómetro marcava 9°.
Da sujeira enta é melhor nem falar. Não é que não sejam limpados. Estão fazendo isso agora mesmo, só que uma vez por dia não vence.
Prefiro usar os banheiros do Metrô Barra Funda e da Sé, bem mais limpos e cuidados.
Violência Social Light
Pego meu prato de comida na hora da janta. Sento à mesa e começo a comer. Duas mesas pro lado um cara dá um espirro tipo vômito. Uns pingos batem na minha cara. Abro os braços olhando pra ele. O cara levanta com intenção de me agredir, alegando que espirrou pro chão.
O "Metrô News" é leitura maioritária dos trecheiros. Sentado à mesa, no refeitório, peço prestado do vizinho, que já leu. Resposta: "vai tomar no cú, pega o teu", acompanhado de atitude ameaçadora, como se tivesse ofendido ele. Levantou com intenção de dar porrada.
O cara do beliche, na cama embaixo da minha, cada vez que viro exclama: "vai morrer" às vezes acompanhadas da tradicional expressão 'filho da puta'. Uma madrugada deu um berro: "Seu cobertor está pindurado, vou te matar", e deu um puxão na ponta que quase me jogou no chão. O coitado mal anda de muletas, sem assistência psicológica adequada.
È por aí. Tem anedota pra encher um blog.
domingo, 1 de junho de 2008
Sacochetes Eco-Amigáveis
Sacochete? É uma sacola que vira pochete, ou uma pochete que vira sacola. Feita de algodão ‘pano americano’, com o dizer “Eco-Amigável” serigrafado.
Queres colaborar? Mandamail pra:
e-ernestox@hotmail.com
Se vens pegar é R$ 10. Entrega a domicílio custa R$ 15.
As fotos são das primeiras feitas, sem impressão. As atuais não tem semente de garapuvá no feche; não tenho como furá-las.
Oferta limitada. Só tenho 10 unidades (não é mktg fulero).
sábado, 31 de maio de 2008
Sem Documentos
Uma segunda via de RG de estrangeiro custa hoje R$ 305,xx (mais fotos) e não recebe de graça, pois é expedido pela Polícia Federal. Demora 3 a 12 meses pra chegar, e até mais em casos que conheci. Não posso nem sonhar em ter tanta grana assim.
A carteira de Trabalho está estraçalhada e não posso pegar segunda via sem o RG, como também não consigo carteira de ônibus, aqui em Sampa.
O CPF está irregular, mas nem pra acertar isso sobra um troco.
Fui nos Direitos Humanos da OAB, pra ver qual é, se tiver direito a alguma coisa. Me mandaram pro Ministério Público, que abriu processo, incluíndo o pedido do RG junto ao pedido de naturalização. Também abriram outro, pedindo uma pensão (Loas) à qual tenho direito. A Lei me obriga naturalizar, apesar que alguns juizes considerarem inconstitucional. (Artigo 5º e tal).
À pergunta sobre demora, foram muito relutantes antes de afirmar que tudo isso ia demorar mais de dois anos. Daí, o 'poder público municipal' me enfiou num albergue e mandou esperar.
Poderia ir pro Chile, onde o Consulado afirma que teria direito a uma pensão, por meus problemas físicos. Mas só se voltar, e se oferecem a me mandar 'repatriado', o que implica em algumas restrições à liberdade. Ninguém esclarece quanto seria o que poderia receber. Só sei que demora "alguns meses" (esperando em algúm asilo), e que perderia o benefício se sair do país. Além de que iria sofrer com uma estúpida e deshumana discriminação, pela população em geral, que chega a ser violenta com 'os que voltaram'.
Falando sério, tenho até medo de voltar. Tem cão solto por lá que não esquece. Tem também o assunto climático. A temperatura máxima no inverno de Santiago é menor que a mínima em Sampa. Periga não passar de agosto.
Lembro o "Catch 22" de um antigo filme de paródia da guerra do Vietnam.
Protesto de Trecheiros
Eu não fui, protestando com minha ausência, considerando que os mesmos que estavam convidando tratam a gente de forma grossas, maleducada, desrespeituosa, prepotente, discriminatória. Não é fácil achar funcionários educados, treinados e capacitados para realizar a função exercida.
Tem muito ignorante incompetente, que nunca deveria ter sido escalado para trabalhar nesses lugares.
Sampa têm Doidos Demais
Bom, é claro que estou num âmbito onde se acumula a escória da sociedade, o pior do 'lumpen social. Mas não é só aí, mas em qualquer canto da cidade. Marginalizados, desassistidos, maltratados, milhares de homens e mulheres levam o fardo da vida por ruas e avenidas, povoam praças e parques públicos, esperando mais um dia passar, com zero chance de melhora.
repudiados pelo cidadão 'de bem', deshumanizados pelo Poder Públic, dramas pessoais incríveis, inimagináveis por quem não compartilha as situações desse universo, desfilam a todo momento frente a olhos que se recusam a ver.
Aí se encontram as irmâs injustiça e violência, e suas sequelas doentias. Promessas de vida eterna são piadas do capeta.
Nova Oferta de Ocupação
O Trampo
Acontece que a situação pela que estou passando tem me derrubado. Mal aguentei duas semanas, só para chegar à triste conclusão que não tenho condição psicológica para ficar 9 horas por dia frente a um computador, realizando pesquisa por telefone.
Passar o dia ligando pro México pelo Skype. Ganhar R$ 8 por pesquisa feita e recebia R$ 15 adiantados para meus gastos. Não estava tão mal e dava para segurar um troco.
Só que tinha hora que dava branco. Nem lembrava o que estava fazendo. Estou muito abalado pela situação e um par de assuntos pessoais que irei revelando. Faz meses que choro em qualquer lugar, rua, metrô, sem poder segurar mesmo. É muito duro e vergonhoso. Não posso controlar. Assim não dá pra trampar em coisa nenhuma.
O caso que piora ainda mais, é que dona Antônia, chefona da DR&M Associados (rua Monte Alegre, 212 10 andar - Edif. West Side - tlf. 3670 2778) mandou recado que não ia pagar, nem dar um tostão de adiantamento, até o dia 10 de agosto, se não for feriado. Ou seja, daqui a Dois Mese e Meio!
Acho sacanagem mesmo, pouca vergonha, falta de humanidade, desconsideração com um idoso deficiente e doente. Gente ruim, filhos do capeta, não faltam, sobram neste planeta. Ainda periga não receber. Empresa fulera como essa é capaz de qualquer coisa. Nem tem como recorrer à dona "Justiça".
Agenda de um Trecheiro
Minutos antes das 6 a lu\z é ligada e a bagunça aumenta. Não preciso levantar antes das 7:15. Nem pego o café da manhã, de um 'pão de nuvem' e um copinho de leite com café. Tomei durante uma semana e me fez muito mal.
Tem que chegar antes das 8 a outro lugar. Atravesso um viduto e caminho mais uns 300 metros. Pelo menos a Assistente Social daí me autorizou tomar café sem leite, mas tem que ficar no fim da fila (umas 200 ou mais pessoas) pra pegar um pedaço de pão decente e um caneco de café frio.
Aí o relógio já marca perto das nove, mais tem que ficar por perto, pois pra pegar um rango tem que cuidar lugar desde antes das 11. A partir de meio dia a gente fica 'livre', na rua. quem quiser pega sopa às 4pm.
Nesse horário pode voltar ao albergue. A comida é servida à tardinha, começando por algumas mulheres, seguindo com doentes, cadeirantes, muleteiros, até chegar ao grosso da tropa. Depois de meia hora, ou até mais, de fila, pode pegar um goró tipo sopa ou um prato de arroz, feijão e algúm tipo de carne. Salada, fruta e um copo de suco químico nem sempre alcança para todos.
Tem tv (sempre a 'bobo'), pode ir deitar na cama, ou ficar por aí, no pátio, à toa.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
O Vô no Trecho
O velho aqui está morando em albergue público e comendo em lugares onde não precisa pagar por um prato de comida. O dia é passado na rua, sem ter onde parar.
Quem ousar afirmar que a vida está fácil, está mentindo, em qualquer nível que se encontrar. Para um velho então, sem conseguir tirar documentos, sem ingresso nenhum, deficiente sem condições de trabalhar, imagina só.
Coisa tão normal e corriqueira como abandono de idoso pela pessoa legalmente responsável, existe às pampas; acha aos montes, então é coisa normal. Só que a gente não estava preparado pra isso.
Estou derrubado, trifudido, mas tento conservar uma certa estabilidade mental; o que apenas estou conseguindo. O blog vai seguir nestas condições. O que resultar, não sei...
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Estilo de Vida
Estou trabalhando no meu próximo livro: "A Geração Insustentável" que, justamente, lida com essas questões (e mais algumas relacionadas).
Para curiosos da minha produção literária, acessa Edições Universo Separado, na coluna ao lado.
Lembrando Albert Einstein
mais uma, agora do John Lennon:
"Deus é um conceito que mede o tamanho de tua dor"
Diz Geoffrey Sachs, economista:
Esse é o verdadeiro desafio da 'economia verde' e nehuma das propostas pró-capitalistas tem capacidade, nem intenção, de lidar seriamente com esses pontos básicos.
A Geração Insustentável
essas quatro expressões da criminalidade global não são essencialmente antagônicas entre si. Representam a maior ameaça ao planeta e a toda manifestação de vida que ainda consegue se manter.
Hoje não é só o futuro que está ameaçado; o presente mostra forte deteriorização e a geração que agora está nascendo e crescendo não tem como se sustentar. Não se trata mais de "gerações perdidas", mas da humanidade inteira estar avanzando ao ponto onde não tem mais retorno possível.
sábado, 24 de maio de 2008
OBS! CUIDADO!
O movimento punk, subsidiado por grandes gravadoras, é usado para desviar a atenção dos joven de objetivos válidos e coerentes.
A disputa entre neo- marxistas, neo-capitalistas e neo-nazifascistas, apenas é uma luta por poder e mercado entre grupos que tem como objetivo a dominação planetária em próprio proveito.
As diferentes aparências do capitalismo (de estado, mercado ou pseudo-nacionalistas) são farinha do mesmo saco.
Mas o vídeo tem partes bem legauzinhas, né?
Não te deixa enganar!
sexta-feira, 23 de maio de 2008
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Marcha da Juventude por Jesus
segunda-feira, 19 de maio de 2008
sábado, 11 de agosto de 2007
Panquecas com Molho de Celular
A mistura 3 x 1 é a base da receita. O resultado pode ser apreciado em variadíssimas versões. A receita base nem tanto, mas admite combinações de diferentes ingredientes.
Digo que quero escrever sobre telefone celular, mas estou fazendo panquecas enquanto escrevo este texto. Um exercício como entrelaçar as coisas. Passam idéias pela cabeça que nada tem a ver com os temas propostos. Incorpora ou não incorpora? A história existe para ser criada.
Este espaço, concebido como blog pessoal, coisas da visão que estou tendo da vida que estou vivendo e do que percebo no meu redor, em meu próprio espaço-tempo. Descaminhei, ou não, mas fui por trilhas paralelas. Agora estou fazendo panquecas e tentando emendar a história de um celular. Blog é pra ler. Fotolog é outra coisa. Imagens só podem ter a função de atrair para a leitura.
Então, 1 copo de farinha, um copo de leite e um ovo, mais uma pitada de sal. Triplica para fazer quantidade. Bater. Esquentar bem uma frigideira. Derramar um pouquinho de óleo nela. Quando bem quente, começando esfumaçar, esparramar um colherão desta mistura (um líquido meio grosso) na friga. Fritar um lado, virar de pulo no ar e fritar o outro lado. Passar manteiga e empilhar.
Seguindo as proporções, vai farinha branca e integral e fibra de trigo; leite de soja em pó, uma colher de levedo de cerveja, sal marinho e água. Bater. Bateu que não acho o liquidificador. Tem um batedor manual numa caixa embaixo da casa. Então dá um tempo, toma um gole de vinho e fuma mais um Trevo.
Tem coisas que fazem a gente pensar sobre a vida, também sobre a própria. Tivemos, participamos em, curtimos um evento massa na Ufsc. O Calimed organizou uma “Jornada Interdisciplinar de Ações em Saúde e Ambiente”. Paralela, nas mesmas datas e nos mesmos lugares que um Congresso Nacional de Estudantes de Medicina e outro de Arquitetura. Foi durante o recesso e logo todo mundo se dispersou, até aqui em casa.
Estou na minha, numa boa, militando ambientalmente no setor ‘sacolas’, sejam de plástico ou de qualquer outro material. É coisa que não está dando dinheiro. O pior é a comunicação. Sem celular é como sem cpf. Sem condição nenhuma de habilitar um, nem usado por 79 reais legal na loja, nem roubado por um trintão.
Fui no Calimed para usar a net, atualizar este e outro espaço, checar e-mail. Tinha uma caixa com perdidos e achados. Pulseiras de aço, colar de prata, chave de carro, livro, óculos de sol, e por aí, até celular tinha. Só podia dar uma olhada nele, lg com foto. Pensei: uma estudante de medicina qualquer, sem celular. Claro, porra, a gente primeiro pensa em mulher.
Também agora lembro das panquecas. Foram goela abaixo com molho de pts com vegetais. Na faixa.
Aí voltou aparecer o celular, meio copresente o tempo todo. Um desses que tira fotinhos seria coisa pro blog. Nem sonhar, nem de alucinação. Sem chance.
Foi quando apareceu o aparelinho bem aí na minha mão. O dono é do Rio de Janeiro. Só ligar pra mãe, de outro telefone, claro. A chance deu-se o dia sub-seguinte. Eu pensando em quem tinha perdido o seu celular, pensando se fosse meu e alguém devolvesse, lembrando de outras latitudes, onde você acha de novo o que perde em qualquer lugar.
Vi o modelo em várias vitrines. Fui numa loja autorizada da operadora e coloquei o caso. Podem receber o aparelho e entregar pro dono. Decidi ligar e combinar o jeito de proceder. Um vereador me autorizou a ligação. A mãe deu ocupado. Ligamos para outro número, identificado como “casa”. Atendeu o irmão do dono do celular. Anotou meu e-mail.
Fui almoçar no Prato Popular de um real e logo parti pro Calimed, querendo usar o o computador ligado na rede. Tinha e-mail dizendo que a empresa ia repor o celular e eu podia ficar com este aqui.
Meu, vou dizer o que... sem palavras, feliz dia dos pais. Não precisa ser pai para ter um feliz dia nesse dia também.
To di kara. Pode?
Playlist: Dire Strait
A Casa do Pereira
Escrever sobre a casa que o Pereira está construindo no seu quintal deveria ser, também, escrever sobre bioconstrução. Tive o imenso prazer de visitá-lo um domingo, mas não fui muito jornalista, nem tomei nota da imensa quantidade de dados que despejou na minha cabeça. Mas tirei algumas fotos.
O que é visível e chama a atenção é o prédio, construído de diversos resíduos recicláveis ou descartáveis. O que não se vê é o que está embaixo da terra, ou seja, o sistema de tratamento de efluentes.
Chegando lá, ele faz a primeira declaração: Tudo o que entra na sua propriedade fica aí dentro; nada sai. Mostra as composteiras e explica o manejo daquilo que tanta gente só chamaria de mato: uma rica variedade vegetal difícil de achar num terreno de cidade.
Na sala de entrada da biocasa conta que o piso tem 2.800 garrafas pet como base. Muros exteriores e paredes têm pets e sacolas plásticas, seguradas com bambu, ferro de
construção, arames diversos. Utilizou diferentes misturas de massa com resíduos plásticos, mostrando a resistência destas. Um muro tem um sistema de circulação de água entre as garrafas, configurando um sistema de climatização.
Subimos até o ninho, em construção no quarto andar, onde a vista domina bairro e horizonte, bem protegidos do vento. Conversamos entre goles de cerveja. O cara é um expert no assunto “reaproveitamento de materiais, reciclagem, tratamento de lixo, produção de composto” e por aí. Só escrevendo um livro – ou dois, ou três – para repassar a sabedoria acumulada.
Ele coordena um projeto no Morro da Mariquinha, área de população de baixa renda com freqüentes conflitos sociais. De repente dou uma voltinha por aí, para mostrar o que se pode fazer misturando conhecimento técnico e inventiva.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
RETOMANDO
Há tempo que não atendo este espaço. Estive absorvido pelo domínio: www.sacsplast.libertar.org. Parece-me que, se você visitar esse blog, aqui não haveria espaço para discutir sobre sacolas de plástico.
Estou na 'Casa da Floresta', rodeado de um mato surreal. Restos de mata secundária misturados com espécies importadas. Palmeiras de palmito, limão galego, banana, tangerina, cana, mamão, pequena horta e jardim, junto a plantas decorativas que em outras latitudes só crescem dentro de casa. Tudo misturado na encosta do morro.
Mais cedo, um casal de saracura estava removendo nosso composto procurando alimento. Tinha um casal de pica-pau também. Aparecem algumas, poucas, aves, de trino e de grito. Uma vez vi uma garça azul. Hoje ouvi um macaquinho, mas não se mostrou. Não queremos alimentá-los, para não criar dependência. Mas os gatos têm ração, o Leãozinho, sua irmã Caramela e a mãe Shaia.
Pra sair daqui só por trilha. Pra chegar também; dá uns 250 metros morro acima. Um bom exercício. Deu um choque muito positivo na minha estrutura toda. Demais é o que ando de ônibus. Dois pro centro ou três pra Ufsc. O dia seguinte à minha chegada ganhei passe livre e porto cartão de 'necessidades especiais'. Aliás, faltam poucos meses para ter direito por idade.
Tem uma pedra grande no topo do morro. Daí dá pra ter uma panorâmica da lagoa que fica na ilha. No fundo, atrás das dunas, é o mar. Da casa não se vê isso; vegetação demais. Não demais é a vegetação que desfila pela cozinha e é encaminhada a nossos intestinos. Não rola carne nem peixe.
Convivo com três estudantes de medicina neste lugar que, por certo, não é uma república. Muito apropriado para estudar e também para algumas festas memoráveis. Tem que colocar tochas na trilha para os convidados. Lugar bom demais, sem tv, nem telefone e, claro, sem internet. A caixa idiota está banida, ou apenas usada para assistir filmes. Teríamos que puxar cabo para a linha telefônica, por baixo da terra. Projeto congelado.
Então, escrevo aqui em casa, gravo no cd, e depois vou pro Calimed para postar. Mas hoje não, tem um monte de roupa de molho. Só estou esperando esquentar um pouco mais o dia. Também é dia de fazer pão. Algumas páginas estão esperando tradução. Algumas idéias, para manter vivo este espaço, estão borboleteando na cabeça.
Imagens só na próxima oportunidade. Já é 18 e trinta; não chego em casa antes das 20 e meia. Isso é hoje, quarta feira.
O Movimento Ambientalista
Como dito antes, são três ônibus de ida e outros tantos de volta. Total de três horas em cadeira cativa e terminais, para fazer um post. Então aproveito e logo faço outro. Encontrei em “Paint the Town Green”, um excelente livro em pdf que lá vale 20 libras esterlinas e baixa de graça. Daí extraí uma definição de Movimento Ambientalista, que coloco a continuação:
Podemos definir como parte do Movimento Ambientalista qualquer pessoa, entidade, organização ou instituição envolvida em apresentar informação, desenvolver ou implementar políticas, realizar decisões ou implementar campanhas em assuntos ambientais.
Assim, o Movimento Ambientalista não se reduz às óbvias Ongs que atuam no setor, mas abrangem um amplo espectro de políticos com compromissos ambientais, assessores de políticos, instituições governamentais, departamentos de governos locais que promovem sustentabilidade, comissões públicas de desenvolvimento sustentável, acadêmicos que trabalham com ciência relacionada ao meio ambiente, especialistas em comunicação que trabalham na promoção de melhores e mais produtivos elos entre provedores e receptores de informação, promotores de negócios que tentem gerar ocupações a partir de comportamentos ambientalmente amigáveis, comentadores ambientalistas, grupos que implementem campanhas, consultores, autores e jornalistas.
É um quadro amplo com muitas interconexões e, às vezes, sem interconexão alguma. É meu público alvo.
Comportamentos ambientalmente amigáveis
referem à escolha de modos de vida específicos,
que reduzam impactos ambientais pessoais
e ajudem assegurar que o consumo de recursos
seja sustentável a nível social.
