terça-feira, 10 de junho de 2008
No Postinho da Ama
Me atendeu uma psiquiatra posando de boazinha. Primeiro enfia o dedo na ferida pra ver se dói até te fazer chorar. Meus problemas não interessam, só tem que constatar e confirmar a depressão.
Me receita tiamina e um complexo de vitamina B, porque estou 10 quilos embaixo de meu peso ‘normal’; aquele onde me sinto bem, di boa com meu corpo. Tudo bem, aceito.
Tenta, de maneira treinada, me convencer a aceitar tratamento na base de fluoxetina. Menciana que começa fazer efeito a partir de 15 dias, e que vou ter que consumir aquilo por mais de uma ano. È a mesma coisa que prescrevem pra TPM.
Aceitei receber os comprimidos pra não levantar polêmica e sujar com o esquema. Lembro ainda que estudei alguma coisa de psicologia aplicada, numa linha totalmente contrária a este tipo de ‘solução’ farmacológica. Vão se catar.
Ainda fui consultar com o clínico de plantão.concordamos que não preciso de medicamentos, mas só caminhar e me esforçar menos; ter um lugar onde poder descansar adequadamente.
Me deu uma receita de um soro para combater a coriça, mas no posto não tem e na enfermaria aqui do albergue está em falta. Isso, como todo dependente do sistema público de saúde sabe, é normal/padrão em todo o país.
Censura Cultural
Tanto quanto filmes, discos ou livros, os games são produtos culturais, independentemente de sua qualidade ou de seu conteúdo. O mesmo valeria para os jogos eletrônicos.
A justiça brasileira retiruou de circulação alguns games extremamente violentos. Os lobbistas das indústrias alegam que isso seria censura, ferindo o princípio de liberdade de expressão.
Segundo definição de ‘experts’ no assunto, cultura é tudo o que o ser humano faz o produz.
Eu me pergunto:
Pelo menos visto desde uma perspectiva de análise daquilo que está sendo vendido, para o povo, como ‘espontânea’ expressão cultural brasileira. O que inressa é o dinheiro, o resto é lero lero.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Um dia na BaseLar
Descobri que teria que ficar no pátio, no frio, sem poder entrar no dormitório. A caixa idiota ligada no programa da dona do loro. Umas 50 pessoas espalhadas por aí, todas doentes. Está bastante frio.
Bom é que tenho roupa de inverno. Ruim é que fudeu o ziper da claça recem lavada. Só tenho mais uma; jeans branco. Ainda tenho que agradecer o apóio logístico de um amigo. Posso lavar roupa e tomar banho no apartamento dele, nos fins de semana. Valeu, camarada!
Domingo no trecho
O que dá é saudade de máquina fotográfica. Agora mesmo. Já vi antes aquela idosa, hoje bem agasalhada, cochilando na cadeira de plástico do terminal de ônibus urbano e interestadual, de trêm, metrô e taxi; com duas bolsas grands, semitransparentes, de plástico ao lado dela, contendo várias bolsas menores com seus pertences.
Ou filmar un vídeo digno do u2b, com aquele rapaz no albergue que mexe braços, pernas e cabeça de forma convulsiva e totalmente randômica. Não dá pra prever o próximo movimento e a sequência é rápida e constante.
Mas consegue caminhar e dá espetáculo de manhã, quando consome seu pão e leite com café. Não perde uma migalha, nem derrama um pingo sequer.
Desculpem, é realmente muito divertido, mas um vídeo fere o direito do ser humano de não ser exposto a gozação.
Obs! Descubri agora: foi overdose de cocaina.
Ver: "Declaração dos Direitos de Animal Humano", no link Edições Universo Separado.
Cena no Viaduto
Começando a descida, pela passarela de pedestres, tinha um casal discutindo. Chegando perto ouvi ele falar algo assim como: 'nem pensa que vai voltar à favela não'. Ele tranquilão; ela tensa, mordida, raivosa.
Não tinha como desviar. Passando junto à mureta, coisa de meio metro dela, sinto mais que vejo, ela puxando uma faca. Mas não era comigo. Olhei de relance, ele frio e meio chumbado; e segui meu caminho de fininho. Alertei dois caras que crzei mais embaixo.
No dia seguinte comentei com um colega que almoça junto. Ele tinha passado mais tarde pelo mesmo lugar. Contou que tinha policia enquadrando uma mulher.
Roupa de Cama
A toalha trocaram anteontem. A gente recebe um kit quando ingressa, incluíndo creme e escova dental, sabão de lavar, sabnete e barbeador. Às perguntas feitas sobre demora na troca, tem resposta padrão: "Reclama coma assistente." Pura gozação.
O que gosto mesmo, no sério, é do sabão de côco. Dão uns pedacinhos, cubunhos, quando a gente pede. Serve bem de xampú e é melhor que muto sabonete.
Banheiros no "Lar"
Vai ver então como fica, com esse monte de gente. Caga um, caga outro, mais um e mais outro. e logo reclamam que o banheiro está entupido. È claro que têm vários onde a descarga não funciona, mas aquele estava bom.]]Acho que não pode estranhar, num país onde a maioria da população hoje adulta não conheceu saneamento básico civilizado.
Dos 18 banheiros em meu setor, têm vários sem água quente, outros sem chuveiro mesmo, algumas descargas com defeito. Vai puxar e vaza a meleca no piso, ou nem água desce. As janelas são buracos e a temperatura dentro é a mesma de fora. Trecheiro que é recolhido da rua e chega tarde à noite é obrigado a tomar banho. Dias atrás o termómetro marcava 9°.
Da sujeira enta é melhor nem falar. Não é que não sejam limpados. Estão fazendo isso agora mesmo, só que uma vez por dia não vence.
Prefiro usar os banheiros do Metrô Barra Funda e da Sé, bem mais limpos e cuidados.
Violência Social Light
Pego meu prato de comida na hora da janta. Sento à mesa e começo a comer. Duas mesas pro lado um cara dá um espirro tipo vômito. Uns pingos batem na minha cara. Abro os braços olhando pra ele. O cara levanta com intenção de me agredir, alegando que espirrou pro chão.
O "Metrô News" é leitura maioritária dos trecheiros. Sentado à mesa, no refeitório, peço prestado do vizinho, que já leu. Resposta: "vai tomar no cú, pega o teu", acompanhado de atitude ameaçadora, como se tivesse ofendido ele. Levantou com intenção de dar porrada.
O cara do beliche, na cama embaixo da minha, cada vez que viro exclama: "vai morrer" às vezes acompanhadas da tradicional expressão 'filho da puta'. Uma madrugada deu um berro: "Seu cobertor está pindurado, vou te matar", e deu um puxão na ponta que quase me jogou no chão. O coitado mal anda de muletas, sem assistência psicológica adequada.
È por aí. Tem anedota pra encher um blog.
domingo, 1 de junho de 2008
Sacochetes Eco-Amigáveis
Sacochete? É uma sacola que vira pochete, ou uma pochete que vira sacola. Feita de algodão ‘pano americano’, com o dizer “Eco-Amigável” serigrafado.
Queres colaborar? Mandamail pra:
e-ernestox@hotmail.com
Se vens pegar é R$ 10. Entrega a domicílio custa R$ 15.
As fotos são das primeiras feitas, sem impressão. As atuais não tem semente de garapuvá no feche; não tenho como furá-las.
Oferta limitada. Só tenho 10 unidades (não é mktg fulero).
sábado, 31 de maio de 2008
Sem Documentos
Uma segunda via de RG de estrangeiro custa hoje R$ 305,xx (mais fotos) e não recebe de graça, pois é expedido pela Polícia Federal. Demora 3 a 12 meses pra chegar, e até mais em casos que conheci. Não posso nem sonhar em ter tanta grana assim.
A carteira de Trabalho está estraçalhada e não posso pegar segunda via sem o RG, como também não consigo carteira de ônibus, aqui em Sampa.
O CPF está irregular, mas nem pra acertar isso sobra um troco.
Fui nos Direitos Humanos da OAB, pra ver qual é, se tiver direito a alguma coisa. Me mandaram pro Ministério Público, que abriu processo, incluíndo o pedido do RG junto ao pedido de naturalização. Também abriram outro, pedindo uma pensão (Loas) à qual tenho direito. A Lei me obriga naturalizar, apesar que alguns juizes considerarem inconstitucional. (Artigo 5º e tal).
À pergunta sobre demora, foram muito relutantes antes de afirmar que tudo isso ia demorar mais de dois anos. Daí, o 'poder público municipal' me enfiou num albergue e mandou esperar.
Poderia ir pro Chile, onde o Consulado afirma que teria direito a uma pensão, por meus problemas físicos. Mas só se voltar, e se oferecem a me mandar 'repatriado', o que implica em algumas restrições à liberdade. Ninguém esclarece quanto seria o que poderia receber. Só sei que demora "alguns meses" (esperando em algúm asilo), e que perderia o benefício se sair do país. Além de que iria sofrer com uma estúpida e deshumana discriminação, pela população em geral, que chega a ser violenta com 'os que voltaram'.
Falando sério, tenho até medo de voltar. Tem cão solto por lá que não esquece. Tem também o assunto climático. A temperatura máxima no inverno de Santiago é menor que a mínima em Sampa. Periga não passar de agosto.
Lembro o "Catch 22" de um antigo filme de paródia da guerra do Vietnam.
Protesto de Trecheiros
Eu não fui, protestando com minha ausência, considerando que os mesmos que estavam convidando tratam a gente de forma grossas, maleducada, desrespeituosa, prepotente, discriminatória. Não é fácil achar funcionários educados, treinados e capacitados para realizar a função exercida.
Tem muito ignorante incompetente, que nunca deveria ter sido escalado para trabalhar nesses lugares.
Sampa têm Doidos Demais
Bom, é claro que estou num âmbito onde se acumula a escória da sociedade, o pior do 'lumpen social. Mas não é só aí, mas em qualquer canto da cidade. Marginalizados, desassistidos, maltratados, milhares de homens e mulheres levam o fardo da vida por ruas e avenidas, povoam praças e parques públicos, esperando mais um dia passar, com zero chance de melhora.
repudiados pelo cidadão 'de bem', deshumanizados pelo Poder Públic, dramas pessoais incríveis, inimagináveis por quem não compartilha as situações desse universo, desfilam a todo momento frente a olhos que se recusam a ver.
Aí se encontram as irmâs injustiça e violência, e suas sequelas doentias. Promessas de vida eterna são piadas do capeta.
Nova Oferta de Ocupação
O Trampo
Acontece que a situação pela que estou passando tem me derrubado. Mal aguentei duas semanas, só para chegar à triste conclusão que não tenho condição psicológica para ficar 9 horas por dia frente a um computador, realizando pesquisa por telefone.
Passar o dia ligando pro México pelo Skype. Ganhar R$ 8 por pesquisa feita e recebia R$ 15 adiantados para meus gastos. Não estava tão mal e dava para segurar um troco.
Só que tinha hora que dava branco. Nem lembrava o que estava fazendo. Estou muito abalado pela situação e um par de assuntos pessoais que irei revelando. Faz meses que choro em qualquer lugar, rua, metrô, sem poder segurar mesmo. É muito duro e vergonhoso. Não posso controlar. Assim não dá pra trampar em coisa nenhuma.
O caso que piora ainda mais, é que dona Antônia, chefona da DR&M Associados (rua Monte Alegre, 212 10 andar - Edif. West Side - tlf. 3670 2778) mandou recado que não ia pagar, nem dar um tostão de adiantamento, até o dia 10 de agosto, se não for feriado. Ou seja, daqui a Dois Mese e Meio!
Acho sacanagem mesmo, pouca vergonha, falta de humanidade, desconsideração com um idoso deficiente e doente. Gente ruim, filhos do capeta, não faltam, sobram neste planeta. Ainda periga não receber. Empresa fulera como essa é capaz de qualquer coisa. Nem tem como recorrer à dona "Justiça".
Agenda de um Trecheiro
Minutos antes das 6 a lu\z é ligada e a bagunça aumenta. Não preciso levantar antes das 7:15. Nem pego o café da manhã, de um 'pão de nuvem' e um copinho de leite com café. Tomei durante uma semana e me fez muito mal.
Tem que chegar antes das 8 a outro lugar. Atravesso um viduto e caminho mais uns 300 metros. Pelo menos a Assistente Social daí me autorizou tomar café sem leite, mas tem que ficar no fim da fila (umas 200 ou mais pessoas) pra pegar um pedaço de pão decente e um caneco de café frio.
Aí o relógio já marca perto das nove, mais tem que ficar por perto, pois pra pegar um rango tem que cuidar lugar desde antes das 11. A partir de meio dia a gente fica 'livre', na rua. quem quiser pega sopa às 4pm.
Nesse horário pode voltar ao albergue. A comida é servida à tardinha, começando por algumas mulheres, seguindo com doentes, cadeirantes, muleteiros, até chegar ao grosso da tropa. Depois de meia hora, ou até mais, de fila, pode pegar um goró tipo sopa ou um prato de arroz, feijão e algúm tipo de carne. Salada, fruta e um copo de suco químico nem sempre alcança para todos.
Tem tv (sempre a 'bobo'), pode ir deitar na cama, ou ficar por aí, no pátio, à toa.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
O Vô no Trecho
O velho aqui está morando em albergue público e comendo em lugares onde não precisa pagar por um prato de comida. O dia é passado na rua, sem ter onde parar.
Quem ousar afirmar que a vida está fácil, está mentindo, em qualquer nível que se encontrar. Para um velho então, sem conseguir tirar documentos, sem ingresso nenhum, deficiente sem condições de trabalhar, imagina só.
Coisa tão normal e corriqueira como abandono de idoso pela pessoa legalmente responsável, existe às pampas; acha aos montes, então é coisa normal. Só que a gente não estava preparado pra isso.
Estou derrubado, trifudido, mas tento conservar uma certa estabilidade mental; o que apenas estou conseguindo. O blog vai seguir nestas condições. O que resultar, não sei...
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Estilo de Vida
Estou trabalhando no meu próximo livro: "A Geração Insustentável" que, justamente, lida com essas questões (e mais algumas relacionadas).
Para curiosos da minha produção literária, acessa Edições Universo Separado, na coluna ao lado.
Lembrando Albert Einstein
mais uma, agora do John Lennon:
"Deus é um conceito que mede o tamanho de tua dor"
Diz Geoffrey Sachs, economista:
Esse é o verdadeiro desafio da 'economia verde' e nehuma das propostas pró-capitalistas tem capacidade, nem intenção, de lidar seriamente com esses pontos básicos.
A Geração Insustentável
essas quatro expressões da criminalidade global não são essencialmente antagônicas entre si. Representam a maior ameaça ao planeta e a toda manifestação de vida que ainda consegue se manter.
Hoje não é só o futuro que está ameaçado; o presente mostra forte deteriorização e a geração que agora está nascendo e crescendo não tem como se sustentar. Não se trata mais de "gerações perdidas", mas da humanidade inteira estar avanzando ao ponto onde não tem mais retorno possível.
sábado, 24 de maio de 2008
OBS! CUIDADO!
O movimento punk, subsidiado por grandes gravadoras, é usado para desviar a atenção dos joven de objetivos válidos e coerentes.
A disputa entre neo- marxistas, neo-capitalistas e neo-nazifascistas, apenas é uma luta por poder e mercado entre grupos que tem como objetivo a dominação planetária em próprio proveito.
As diferentes aparências do capitalismo (de estado, mercado ou pseudo-nacionalistas) são farinha do mesmo saco.
Mas o vídeo tem partes bem legauzinhas, né?
Não te deixa enganar!
sexta-feira, 23 de maio de 2008
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Marcha da Juventude por Jesus
segunda-feira, 19 de maio de 2008
sábado, 11 de agosto de 2007
Panquecas com Molho de Celular
A mistura 3 x 1 é a base da receita. O resultado pode ser apreciado em variadíssimas versões. A receita base nem tanto, mas admite combinações de diferentes ingredientes.
Digo que quero escrever sobre telefone celular, mas estou fazendo panquecas enquanto escrevo este texto. Um exercício como entrelaçar as coisas. Passam idéias pela cabeça que nada tem a ver com os temas propostos. Incorpora ou não incorpora? A história existe para ser criada.
Este espaço, concebido como blog pessoal, coisas da visão que estou tendo da vida que estou vivendo e do que percebo no meu redor, em meu próprio espaço-tempo. Descaminhei, ou não, mas fui por trilhas paralelas. Agora estou fazendo panquecas e tentando emendar a história de um celular. Blog é pra ler. Fotolog é outra coisa. Imagens só podem ter a função de atrair para a leitura.
Então, 1 copo de farinha, um copo de leite e um ovo, mais uma pitada de sal. Triplica para fazer quantidade. Bater. Esquentar bem uma frigideira. Derramar um pouquinho de óleo nela. Quando bem quente, começando esfumaçar, esparramar um colherão desta mistura (um líquido meio grosso) na friga. Fritar um lado, virar de pulo no ar e fritar o outro lado. Passar manteiga e empilhar.
Seguindo as proporções, vai farinha branca e integral e fibra de trigo; leite de soja em pó, uma colher de levedo de cerveja, sal marinho e água. Bater. Bateu que não acho o liquidificador. Tem um batedor manual numa caixa embaixo da casa. Então dá um tempo, toma um gole de vinho e fuma mais um Trevo.
Tem coisas que fazem a gente pensar sobre a vida, também sobre a própria. Tivemos, participamos em, curtimos um evento massa na Ufsc. O Calimed organizou uma “Jornada Interdisciplinar de Ações em Saúde e Ambiente”. Paralela, nas mesmas datas e nos mesmos lugares que um Congresso Nacional de Estudantes de Medicina e outro de Arquitetura. Foi durante o recesso e logo todo mundo se dispersou, até aqui em casa.
Estou na minha, numa boa, militando ambientalmente no setor ‘sacolas’, sejam de plástico ou de qualquer outro material. É coisa que não está dando dinheiro. O pior é a comunicação. Sem celular é como sem cpf. Sem condição nenhuma de habilitar um, nem usado por 79 reais legal na loja, nem roubado por um trintão.
Fui no Calimed para usar a net, atualizar este e outro espaço, checar e-mail. Tinha uma caixa com perdidos e achados. Pulseiras de aço, colar de prata, chave de carro, livro, óculos de sol, e por aí, até celular tinha. Só podia dar uma olhada nele, lg com foto. Pensei: uma estudante de medicina qualquer, sem celular. Claro, porra, a gente primeiro pensa em mulher.
Também agora lembro das panquecas. Foram goela abaixo com molho de pts com vegetais. Na faixa.
Aí voltou aparecer o celular, meio copresente o tempo todo. Um desses que tira fotinhos seria coisa pro blog. Nem sonhar, nem de alucinação. Sem chance.
Foi quando apareceu o aparelinho bem aí na minha mão. O dono é do Rio de Janeiro. Só ligar pra mãe, de outro telefone, claro. A chance deu-se o dia sub-seguinte. Eu pensando em quem tinha perdido o seu celular, pensando se fosse meu e alguém devolvesse, lembrando de outras latitudes, onde você acha de novo o que perde em qualquer lugar.
Vi o modelo em várias vitrines. Fui numa loja autorizada da operadora e coloquei o caso. Podem receber o aparelho e entregar pro dono. Decidi ligar e combinar o jeito de proceder. Um vereador me autorizou a ligação. A mãe deu ocupado. Ligamos para outro número, identificado como “casa”. Atendeu o irmão do dono do celular. Anotou meu e-mail.
Fui almoçar no Prato Popular de um real e logo parti pro Calimed, querendo usar o o computador ligado na rede. Tinha e-mail dizendo que a empresa ia repor o celular e eu podia ficar com este aqui.
Meu, vou dizer o que... sem palavras, feliz dia dos pais. Não precisa ser pai para ter um feliz dia nesse dia também.
To di kara. Pode?
Playlist: Dire Strait
A Casa do Pereira
Escrever sobre a casa que o Pereira está construindo no seu quintal deveria ser, também, escrever sobre bioconstrução. Tive o imenso prazer de visitá-lo um domingo, mas não fui muito jornalista, nem tomei nota da imensa quantidade de dados que despejou na minha cabeça. Mas tirei algumas fotos.
O que é visível e chama a atenção é o prédio, construído de diversos resíduos recicláveis ou descartáveis. O que não se vê é o que está embaixo da terra, ou seja, o sistema de tratamento de efluentes.
Chegando lá, ele faz a primeira declaração: Tudo o que entra na sua propriedade fica aí dentro; nada sai. Mostra as composteiras e explica o manejo daquilo que tanta gente só chamaria de mato: uma rica variedade vegetal difícil de achar num terreno de cidade.
Na sala de entrada da biocasa conta que o piso tem 2.800 garrafas pet como base. Muros exteriores e paredes têm pets e sacolas plásticas, seguradas com bambu, ferro de
construção, arames diversos. Utilizou diferentes misturas de massa com resíduos plásticos, mostrando a resistência destas. Um muro tem um sistema de circulação de água entre as garrafas, configurando um sistema de climatização.
Subimos até o ninho, em construção no quarto andar, onde a vista domina bairro e horizonte, bem protegidos do vento. Conversamos entre goles de cerveja. O cara é um expert no assunto “reaproveitamento de materiais, reciclagem, tratamento de lixo, produção de composto” e por aí. Só escrevendo um livro – ou dois, ou três – para repassar a sabedoria acumulada.
Ele coordena um projeto no Morro da Mariquinha, área de população de baixa renda com freqüentes conflitos sociais. De repente dou uma voltinha por aí, para mostrar o que se pode fazer misturando conhecimento técnico e inventiva.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
RETOMANDO
Há tempo que não atendo este espaço. Estive absorvido pelo domínio: www.sacsplast.libertar.org. Parece-me que, se você visitar esse blog, aqui não haveria espaço para discutir sobre sacolas de plástico.
Estou na 'Casa da Floresta', rodeado de um mato surreal. Restos de mata secundária misturados com espécies importadas. Palmeiras de palmito, limão galego, banana, tangerina, cana, mamão, pequena horta e jardim, junto a plantas decorativas que em outras latitudes só crescem dentro de casa. Tudo misturado na encosta do morro.
Mais cedo, um casal de saracura estava removendo nosso composto procurando alimento. Tinha um casal de pica-pau também. Aparecem algumas, poucas, aves, de trino e de grito. Uma vez vi uma garça azul. Hoje ouvi um macaquinho, mas não se mostrou. Não queremos alimentá-los, para não criar dependência. Mas os gatos têm ração, o Leãozinho, sua irmã Caramela e a mãe Shaia.
Pra sair daqui só por trilha. Pra chegar também; dá uns 250 metros morro acima. Um bom exercício. Deu um choque muito positivo na minha estrutura toda. Demais é o que ando de ônibus. Dois pro centro ou três pra Ufsc. O dia seguinte à minha chegada ganhei passe livre e porto cartão de 'necessidades especiais'. Aliás, faltam poucos meses para ter direito por idade.
Tem uma pedra grande no topo do morro. Daí dá pra ter uma panorâmica da lagoa que fica na ilha. No fundo, atrás das dunas, é o mar. Da casa não se vê isso; vegetação demais. Não demais é a vegetação que desfila pela cozinha e é encaminhada a nossos intestinos. Não rola carne nem peixe.
Convivo com três estudantes de medicina neste lugar que, por certo, não é uma república. Muito apropriado para estudar e também para algumas festas memoráveis. Tem que colocar tochas na trilha para os convidados. Lugar bom demais, sem tv, nem telefone e, claro, sem internet. A caixa idiota está banida, ou apenas usada para assistir filmes. Teríamos que puxar cabo para a linha telefônica, por baixo da terra. Projeto congelado.
Então, escrevo aqui em casa, gravo no cd, e depois vou pro Calimed para postar. Mas hoje não, tem um monte de roupa de molho. Só estou esperando esquentar um pouco mais o dia. Também é dia de fazer pão. Algumas páginas estão esperando tradução. Algumas idéias, para manter vivo este espaço, estão borboleteando na cabeça.
Imagens só na próxima oportunidade. Já é 18 e trinta; não chego em casa antes das 20 e meia. Isso é hoje, quarta feira.
O Movimento Ambientalista
Como dito antes, são três ônibus de ida e outros tantos de volta. Total de três horas em cadeira cativa e terminais, para fazer um post. Então aproveito e logo faço outro. Encontrei em “Paint the Town Green”, um excelente livro em pdf que lá vale 20 libras esterlinas e baixa de graça. Daí extraí uma definição de Movimento Ambientalista, que coloco a continuação:
Podemos definir como parte do Movimento Ambientalista qualquer pessoa, entidade, organização ou instituição envolvida em apresentar informação, desenvolver ou implementar políticas, realizar decisões ou implementar campanhas em assuntos ambientais.
Assim, o Movimento Ambientalista não se reduz às óbvias Ongs que atuam no setor, mas abrangem um amplo espectro de políticos com compromissos ambientais, assessores de políticos, instituições governamentais, departamentos de governos locais que promovem sustentabilidade, comissões públicas de desenvolvimento sustentável, acadêmicos que trabalham com ciência relacionada ao meio ambiente, especialistas em comunicação que trabalham na promoção de melhores e mais produtivos elos entre provedores e receptores de informação, promotores de negócios que tentem gerar ocupações a partir de comportamentos ambientalmente amigáveis, comentadores ambientalistas, grupos que implementem campanhas, consultores, autores e jornalistas.
É um quadro amplo com muitas interconexões e, às vezes, sem interconexão alguma. É meu público alvo.
Comportamentos ambientalmente amigáveis
referem à escolha de modos de vida específicos,
que reduzam impactos ambientais pessoais
e ajudem assegurar que o consumo de recursos
seja sustentável a nível social.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Angra 3 Não!
Aprendiz de feiticeiro
O dogma da necessidade do crescimento constante tem levado a. extrapolações estatísticas absurdas, como a da continuação indefinida da duplicação, cada dez ou cada sete anos, do consumo de energia. Em base a este tipo de extrapolação, para cuja realização na prática se movimenta uma publicidade que nos incita a um uso cada vez mais esbanjador de energia, surgem, então, planejamentos ainda mais absurdos, como o de querer semear, nos próximos quinze anos, um total de quase cinqüenta usinas atômicas em um pequeno país de 250.000 km, como é o caso da República Federal da Alemanha.
Aqueles que têm interesse nesta proliferação nos apresentam a energia nuclear como a energia do futuro, a energia mais abundante e mais limpa, mas silenciam seus incríveis custos ambientais e fazem o possível para desinformar-nos a respeito. Se é verdade que das chaminés das centrais nucleares não sai a fumaça preta das usinas a carvão, é também verdade que estas usinas,produzem os mais temíveis e indestrutíveis dos poluentes. Uma poluição para cuja percepção nosso organismo nem órgãos de sentido têm. Enquanto a Natureza nos deu olfato para distinguir gases fétidos de agradáveis aromas, olhos para constatar beleza e contrastá-la á feiúra é á desordem, ouvidos para sentir harmonias e distingui-Ias da cacofonia e do barulho, uma pele capaz de notificar-nos se as temperaturas são propícias ou perniciosas, ela não nos forneceu nenhum instrumento que nos permitisse dar-nos conta se nos encontramos ou não em ambiente infestado de radiação. Isto não estava previsto! A radiação ionizante em ambiente vital é insídia inventada pelo Homem.
A proliferação atômica, tanto em sua fase guerreira como na fase dita pacífica, ambas complementando-se perfeitamente, constitui o maior perigo que o Homem e a Natureza já enfrentaram. Incidindo sobre o mecanismo hereditário dos seres vivos, a radiação ionizante afeta e altera o código genético. Quando isto acontece em células somáticas (as células dos tecidos do corpo) pode levar ao câncer ou à leucemia; nas células germinais (as células que servem à reprodução da espécie) causa mutações. Destas, as mutações subletais (as que não matam o ser em formação) são quase sempre recessivas e ficam incorporadas ao capital genético da espécie. Os estragos, deformações ou deficiências hereditárias podem aparecer até muitas gerações e milhares de anos depois. Assim, quando contaminamos o ambiente com radiações ionizantes, prejudicamos não somente os que hoje vivem, mas condenamos também gerações futuras que nada têm a ver com nossas motivações atuais.
A exploração da energia nuclear, desde sua fase de mineração até o lixo atômico, o que, além das usinas propriamente ditas, inclui as usinas de enriquecimento do urânio e a refinação do material físsil usado, contamina o ambiente com elementos radioativos, alguns dos quais com meia vida de milhares de anos. Este é o caso do plutônio. Sua meia vida é de 24.400 anos. Isto quer dizer que um quilo de plutônio leva 24.400 anos para desintegrar-se a ponto de sobrar meio quilo, mais 24.400 anos para reduzir-se a um quarto de quilo, outro tanto para que sobrem apenas 125 gramas e assim por diante. Para que um contaminante radioativo no ambiente se reduza a um milionésimo da quantidade inicial são necessárias cerca de 20 meias vidas. No caso do plutônio, pouco mais de 500.000 anos! Se a quantidade inicial era mui o elevada, isto pode não ser suficiente. Uma tonelada de plutônio, após meio milhão de anos deixará ainda um gramo.
O plutônio, elemento criado pelo Homem, antes inexistente na Natureza, é a substância mais fulminantemente tóxica (radiotóxica) que nossa despreocupada espécie já teve em mãos. Poucos quilos, uniformemente distribuídos na atmosfera, seriam suficientes para acabar com toda Vida da Terra. Existem já mais de 100 toneladas de plutônio. Em 1980 seriam quase 400 toneladas e no ano 2000 teríamos alguns milhares. Mas também os poluentes radioativos de meia vida relativamente curta, como o estrôncio 90, que se concentra através das cadeias alimentares e consegue assim instalar-se em nossos ossos, especialmente nos ossos das crianças, tornando-nos radioativos por dentro, tem ainda uma duração absolutamente intolerável. Com sua meia vida de aproximadamente 27 anos, ele necessita de mais de 500 anos para deixar de molestar-nos.
Pela introdução de elementos radioativos na Ecosfera asseguramos que, além dos estragos devidos à radiação atual, e que já são a longo prazo quando são de natureza genética, sejam causados sempre novos danos através de centenas, milhares e centenas de milhares de anos, quando não milhões de anos, pois os elementos radioativos difundidos continuarão agindo, para causar sempre novos problemas imediatos e retardados.
Também aqui, argumentam os tecnocratas que as concentrações rotineiramente introduzidas no ambiente pela tecnologia nuclear são desprezivelmente baixas. Como no caso dos aditivos químicos e dos resíduos de pesticidas na alimentação, dos efluentes ou emissões industriais, a argumentação apoiada nas definições de doses mínimas permissíveis é falha quando não tendenciosa. O câncer começa a nível molecular. Um só fóton de radiação ionizante, incidindo no lugar certo do código genético, uma só molécula de substância ionizante ou um só vírus podem desencadear o câncer, podem causar a mutação, formando o gen defeituoso que circulará no capital genético por milhares de anos. Esta argumentação, portanto, é algo assim como se a policia coibisse apenas o uso de canhões e metralhadoras pelo público mas não visse inconvenientes na diversão com revólveres, pistolas e adagas. ._
O leigo se imagina muitas vezes que serão certamente encontradas técnicas, ainda não suspeitadas, para resolver os problemas da radioatividade. Mas a Ciência não só nos abre novos horizontes, ela também nos diz de impossibilidades fundamentais. Quando mexemos com o átomo, estamos mexendo com mecanismos básicos da estrutura do Universo. Podemos produzir plutônio, podemos até consumi-lo no reator, mas nunca conseguiremos recuperar o plutônio disperso, da mesma maneira que não podemos recolher o DM que se encontra nos oceanos e jamais eliminaremos a radiação dos elementos radioativos ou poderemos alterar-lhes a meia vida. Com a tecnologia nuclear colocamo-nos na posição da figura da fábula que destapou a garrafa que continha o espírito...
Podemos e devemos cometer erros para aprender, mas há um tipo de erro que devemos evitar a todo custo, o erro irreversível. Uma central nuclear de 1000 MWa, que é a ordem de magnitude prevista para as centrais do futuro imediato, produz, em um ano de operação normal, material radioativo com poder de radiação de pelo menos mil bombas de Hiroshima. Uma pequena parte deste material contamina diretamente a atmosfera e os corpos d'água, saindo pelas chaminés (por isto as usinas nucleares tem chaminés tão altas) e na água de refrigeração, assim como pelos vazamentos inevitáveis em toda maquinaria complexa.
A maior e mais perigosa parte do material radioativo é a que sobra na reciclagem do combustível usado. Esta é a parte que constitui o lixo atômico propriamente dito. A reciclagem é feita em usinas especiais, mais vulneráveis ainda a panes, acidentes, sabotagem ou terrorismo que as centrais. Uma vez que estas instalações se destinam ao atendimento de várias centrais, é multiplicado o acúmulo de material altamente pernicioso. Este lixo é tão radioativo que só pode ser manipulado por r controle remoto e a custos extremos. É armazenado em forma líquida ou solidificado e mantido em depósitos especiais para ser depois colocado em minas de sal, injetado em estratos geológicos profundos e mesmo em abrigos de superfície. Alguns pretendem levá-lo aos gelos da Antártida. Durante certo tempo foi jogado às partes mais profundas dos oceanos mas, quando os oceanólogos demonstraram que também estas partes abrigam muita vida e que suas águas estão em circulação e intercâmbio com as demais, esta prática foi proibida por acordo internacional, mas não há controle suficiente. Outros pretendem mandar os resíduos ao espaço, injetando-os em órbita de mergulho solar. Demonstram assim sua fé cega na infalibilidade tecnológica e incapacidade de compreender as ordens de magnitude logo alcançadas. Onde estão os foguetes absolutamente á prova de pane? A própria NASA, com todo o cuidado, não consegue evitar a incineração de astronautas na plataforma de partida. A escalada prevista exigiria, já no ano 2000, vários foguetes diários. O problema do lixo nuclear, nas ordens de magnitude que já tem e que ainda se preparam, é insolúvel.
As centrais e demais instalações complementares, ao se tornarem obsoletas, após 15, 20 ou 30 anos, constituirão ruínas radioativas, só desmontáveis com complicados e gigantescos mecanismos de controle remoto e a custos absolutamente proibitivos. As centrais até hoje abandonadas não foram desmontadas. Onde colocar os entulhos? Se não forem desmontadas estarão garantidos sérios desastres para incautos e arqueólogos até no mais remoto futuro.
O funcionamento normal das centrais nucleares e das instalações complementares significa tremendos riscos, diante dos quais são insignificantes todos os riscos tecnológicos até hoje incorridos. Conforme a densidade demográfica e as condições meteorológicas, uma pane ou um ato de sabotagem ou terrorismo poderão significar morte imediata e retardada de até milhões de pessoas sobre imensos territórios e através de intermináveis períodos de tempo. Apesar disto e apesar dos crescentes protestos populares, insiste-se ainda em construir centrais junto a grandes centros urbanos. Entre nós não faltam os políticos e administradores desavisados que reclamam centrais para sua cidade ou estado.
Os interessados insistem que têm absoluto controle da situação, que não haverá defeitos técnicos e erros humanos e que saberão evitar sabotagem e defender-se contra o terrorismo. Apresentam-nos estudos como o Relatório Rassmunsen que nos dão probabilidades infinitesimais para acidentes fatais. Mas este estudo não levou em conta erros e desleixos humanos. As numerosas panes já acontecidas, basta citar o reator de Browns Ferry, nos Estados Unidos e o de Gundremmingen na Alemanha Federal, demonstram exatamente isto. Os erros humanos são inevitáveis. Naturalmente os responsáveis e os governantes procuram abafar todos estes fatos. Quando eles se tornam do conhecimento do público, é sempre através de pessoas preocupadas e lutadores ambientais. Interessante é constatar que, até agora, nem os grandes consórcios de companhias de seguros aceitam cobrir completamente danos devidos a acidentes nucleares. Nos Estados Unidos cobrem até apenas 60 milhões de dólares e o Governo cobre dali até 560 milhões. Mas se morrerem milhões de habitantes e vastos territórios se tornarem inabitáveis, para todo sempre, que são 560 milhões? E se não sobrar ninguém para cobrar indenização?
O dinheiro do governo é o dinheiro do povo. O povo que é chamado a.ser a cobaia deste gigantesco experimento não é chamado a participar das decisões pertinentes. O povo, assim mesmo, paga duas vezes, no próprio corpo e no bolso. É importante que sem estas garantias governamentais fechariam todas as centrais nucleares conforme declaram seus próprios diretivos. O negócio nuclear é subvencionado em todas as suas fases, desde a pesquisa até a construção e operação, e sem esta subvenção não teria capacidade de concorrer com as demais formas de energia.
Num pais semeado de centrais nucleares, qualquer guerra convencional se transforma em guerra atômica. Uma usina nuclear atingida por bombardeio convencional libera no ambiente fantásticas concentrações de radioatividade que poderão espalhar-se por centenas de milhares de quilômetros quadrados. Isto seria muito pior que as explosões de Hiroshima e Nagasaki. No caso da bomba, a maior parte do material radioativo é levada á estratosfera, a radioatividade é residual. As Forças Armadas deveriam refletir sobre este aspecto. A segurança nacional será inversamente proporcional ao número e densidade de centrais. Pouco ou nada poderão fazer. Qualquer terrorista disposto a tudo terá mais força que todo um exército.
A tecnologia nuclear pressupõe um mundo perfeitamente utópico - um mundo sem guerras, sem revoluções, convulsões sociais, desordens, sem terrorismo, sem roubo, banditismo, sem desleixo e erros humanos, sem força maior, terremotos, maremotos, cheias, sem acidentes de transporte. Este tipo de mundo nunca existiu e nunca existirá. Constitui criminosa irresponsabilidade contar com ele. Assim mesmo, foi noticiado o comentário de técnico nuclear alemão que teria proposto diminuir as exigências de segurança para baixar o custo de nossas centrais.
As ocorrências de urânio são tão ou mais limitadas que as do petróleo. Em reatores do tipo convencional as reservas mal durariam até o fim do século. Para superar este impasse prevê-se a "economia do plutônio", que se baseia numa nova geração de reatores, os regeneradores rápidos. Nestes a radiação do plutônio transforma o urânio 238, não físsil, em mais plutônio. O combustível básico seria então o plutônio! Com isto os perigos até aqui apontados ficariam exponenciados em várias ordens de magnitude. A movimentação maciça desta mais perigosa de todas as substâncias tornaria inevitável a proliferação de armas nucleares em mãos de irresponsáveis e mesmo de grupos terroristas. Poucos quilos de plutônio permitem a fabricação de bombas atômicas primitivas e "sujas". Que mundo estamos preparando para nossos filtros!
Enquanto os interessados se apressam em construir sempre mais centrais nucleares;- multiplicam-se as vozes dós entendidos que nos advertem que a energia' nuclear, longe de constituir resposta à crise energética, poderá agravá-la.
Em sua fase de mineração, refinação, enriquecimento é fabricação dos componentes e construção das centrais, na reciclagem do combustível usado na fabricação da água pesada e demais insumos, assim como na manipulação do lixo atômico, a tecnologia nuclear é extremamente consumidora de energia, de energia fóssil. A relação insumo energético/produção de energia utilizável é muito baixa, tão baixa que os programas nucleares previstos apresentam balanço energético negativo durante muitos anos. Este balanço só se tornará positivo anos após cessar a expansão na construção de novas centrais. Mas se pretende, justamente, construir sempre mais centrais. Esta corrida só acelerará o consumo definitivo dos combustíveis fósseis.
Por outro lado, a gigantesca capitalização exigida, quase toda ela de dinheiro público, interferirá nos esforços para desenvolver soluções alternativas: energia solar, do vento, energia orgânica e outras. Interferirá, inclusive com os esforços por uma agricultura. sustentável, realmente sã, capaz de ajudar a resolver o problema da fome.
Houve afirmações de que a energia atômica seria tão barata que dispensaria os relógios marcadores de consumo de eletricidade. Este sonho já se desvaneceu. Todos os custos têm sido ridiculamente subestimados, mas os que ainda insistem em querer convencer-nos de que a energia nuclear é barata ignoram os custos que entregam à posteridade. Onde estão contabilizados os custos de proteção e isolamento da Biosfera, durante milênios, de nosso lixo nuclear? Daqui a dezenas e centenas de milhares de anos ainda deverão funcionar entidades especiais com a tarefa de manter isolados nossos detritos. Haverá então só custos e perigos, nenhum proveito. Com que direito entregamos esta hipoteca?
A exploração da energia nuclear constitui nota promissória contra nossos filhos e descendentes remotos! Para satisfazer e manter por mais algum tempo nossos atuais desmandos, condenamos seres humanos e civilizações num futuro longínquo, que nem registro de nossa cultura mais terão, se é que com nossas loucuras permitiremos ainda que haja gerações futuras.
Este tipo de tecnologia é profundamente imoral! As decisões não podem permanecer nas mãos somente dos tecnocratas e burocratas interessados.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Pé na Estrada
Hoje estou nessa situação outra vez de novo. Domingo pego o 'baú' numa viagem de umas doze horas. Decidí trocar de ares e mudo de mala e cuia para uma cidade maior. Aqui consegui bater dois recordes de permanência: quatro anos e meio na mesma cidade e três anos mais três meses na mesma casa (olha o barraco aí). Nunca antes morei tanto tempo num lugar só.
Juntou que esta cidade que não é o que aparenta (por isso 'Matrixgá'), é uma vaca que não dá leite pra mim, e o fato que o filho reclama sua independência e liberdade. Então vamimbora, cada um pro seu lado.
Só que vou ficar fora do ar por algum tempo. Neste sábado 28 vou na UEM participar no Flisol, pra instalar o Ubuntu mais alguns softslivres nesta máquina onde escrevo este post. Daí pra frente “adiós amigo Bill”. Aproveito que não mais vou ter que compartilhar pra deixar o compu do meu jeito.
De segunda pra frente não sei. A aventura sempre foi parte de minha vida. Só que desta vez tenho a vantagem de ter onde chegar e saber o que vou fazer. Isso não é frequente. Sou bom em reciclar papel e fazer papel artesanal de diferentes fibras naturais. Posso arrebentar na base do papel de bagaço de cana e de bananeira. Só que nem idéia quando vou estar online de novo.
Só tenho a certeza que este blog não vai morrer e que vou agitar bastante o assunto das sacolas, em geral. Escrevi antes, neste blog, que isso dava pano pra manga e calça comprida, e apenas comecei. Pode demorar um pouco, mas ameaço voltar quando montar minha infra de novo.
PS: vida de pobre é assim mesmo: é difícil planejar e tem que ser muito flexível. Se nada der certo, já estou acostumado. Mas desta vez vai dar certo sim, tenho certeza. Inté.
